
Você deve estar pensando: O que faz um post sobre Michael Jackson em um blog católico?
Confesso que até uma semana atrás, antes da morte do maior astro da música pop, eu também nunca iria imaginar que pudesse colocar algo sobre ele aqui, afinal, um blog católico deve condenar atitudes profanas, porém, eu preciso testemunhar que nesse tempo em que o mundo lamenta a morte desse cantor relembrando toda a sua trajetória, eu tenho tido uma maravilhosa aula de conversão a partir do amor.
O Homem não pode ser visto como negócio! O homem foi criado segundo a imagem e semelhança de Deus!
Além de poder descobrir o talento musical que esse cara tinha, eu também pude compreender, que mais uma vez, a psicologia contrasta com a religião cristã pregando o amor a todos!
Quem acompanhou documentários, pode perceber que atrás daquele esquisito rosto, existia uma criança que não teve a oportunidade de crescer por que não foi amada...
Não quero me prender a imagem do cantor, mas sim as nossas atitudes diante desse fato!
Sim, por que tem muito cristão criticando esse homem por seus atos e escandalos, dizendo frases como "foi tarde!", e nessa hora eu me pergunto...
Cadê o Espirito Santo na vida dessas pessoas? Qual Jesus Cristo nós seguimos, aquele que foi misericordioso até o fim, acolhendo a prostituta, o ladrão, o pecador ou um falso Deus que condena, mata e se vinga?
Que essa ocasião possa proporcionar a você momentos de reflexão... Antes de julgar, ame! Antes de parar na imagem externa, alcance o interior de um ser: as suas carências, as suas tristesas, enfim, as fraquesas do homem e seja misericordioso!
Que esse momento polêmico que parou o planeta, sirva de aprendizado para que sejamos melhores uns com os outros!
Se ao invés de julgar e criticar, nós tivermos a coragem de amar como o próprio Cristo, os traumas psicológicos serão menores e por consequencia, a imagem dos ser humano será cada vez mais a semelhança de Deus! O resultado disso é menos guerra e mais amor!
Agora, quero saber uma coisa... Você era fã de Jackson?
Eu não era, pelo menos até ele morrer! Agora, mais do que seu fã, posso dizer que sou fã do ser humano!
Quero mesmo ser fã daqueles que possuem histórias que não podem ser maquiadas atrás dos camarins, daqueles que possuem histórias que não mudam mesmo quando ocorrem as mudanças na aparência...
Como nosso Deus, eu quero amar a todos os seres, especialmente aqueles que possuem dentro de si uma criança que não cresce e não deixa de ser frágil como eu e como você...
Para fechar o post, quero deixar aqui uma matéria super interessante que encontrei no site g1.com.br, e se você não entendeu o que eu quis dizer no início do post, quando eu falava em unir a psicologia com a religião, com certeza entenderá após ler essa matéria.
Que o grande Deus nos abençoe! Amém!
Rodrigo
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Uma vida que para muitos parecia ter tudo para ser feliz – fama, dinheiro, sucesso. Mas será que isso basta? Acho que para ele não bastou. Não que ele precisasse de coisas de outro mundo. Provavelmente precisava de algo mais simples. Sua vida de volta. Ou algo que imaginava ir de encontro a ela.
A história de Michael não foi fácil. Sua infância lhe foi surrupiada. Talentoso desde pequeno, seu pai viu nele e em seus irmãos um bom filão. Explorou-o e o obrigou a trabalhar exaustivamente. Gravava durante todo o dia sem poder brincar quando contava com apenas seis anos. Diante dos erros, era severamente castigado. Não havia espaço para ser ele próprio. Além disso, o pai o criticava muito, principalmente em sua aparência. Seu temor era tanto que diante da figura paterna chegava a vomitar. Muitos dizem que ele não cresceu e que queria ficar sempre criança, assim como Peter Pan em sua Terra do Nunca. Provavelmente buscava algo que nunca teve e pelo qual nunca passou _a infância_ e tudo o que ela proporciona para que nos tornemos adultos saudáveis e emocionalmente preparados para enfrentar a vida. No caso, ele teve que fazer isso precocemente.
Desde cedo enfrentou o que muitos adultos não dão conta de enfrentar: o sucesso e a fama. Se isso chega a ser demais para alguns adultos, imaginemos para um garotinho, que vivia com medo do pai. Que não podia errar. Até porque, as exigências que são feitas a um artista são maiores. Ele se expõe a muitos milhares de pessoas. Michael Jackson vendeu um milhão de cópias de seu segundo disco solo (Ben – 1972) com apenas 14 anos de idade. Não deu tempo de ele amadurecer. Não à toa era todo indefinido: branco ou preto; homem ou mulher; adulto ou criança? Como um adolescente que experimenta várias faces até encontrar a sua própria. E ele foi até onde deu. Alguns confundem se dar bem na vida com ganhar milhões. Talvez os pais de Michael pensassem assim também.
E outros tantos por aí que vêem nos seus pequenos a possibilidade de alcançarem algo que nunca tiveram. Exigem deles aquilo que não podem e não devem dar – sua infância. Talvez uma das coisas mais preciosas de nossas vidas. Mas por serem bonitinhos ou espertinhos são lançados num trabalho artístico bastante exigente. E que é um trabalho. Algo que pertence ao universo dos homens adultos. Criança não deve trabalhar. Ela deve ter tempo de brincar, aprender, conhecer, desenvolver-se física e emocionalmente num lar minimamente saudáve para então depois seguir as outras etapas da vida.
Michael não é o único exemplo de astros mirins que se atrapalharam durante suas vidas. Há vários outros como ele. E outros virão. Quem sabe ao menos sua infelicidade sirva para que os pais de futuros “astros” mirins possam ver seus filhos apenas como crianças. Menos como negócio. É de responsabilidade dos pais criar condições para que seus filhos sejam felizes. O que certamente não se resume a milhões de dólares. Michael Jackson que o diga.
Ana Cássia Maturano é psicóloga e psicopedagoga - Fonte www.g1.com.br